sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Entre nós

Não queria que se fosse
Mas a vida se esvaía
Escapava lenta, arredia
Pela respiração pouca
A tua boca seca e rosada
Vi cravada uma vontade louca
Em ficar

Debruçados sobre a tua cama
A noite feito um Evereste
O filho rasgando as vestes clama:
- Até ontem estivestes entre nós

Que mundo, que rumo, que tudo
Nos espera lá?

Um segundo, o peito para,
A veia seca, o corpo cessa
A sarça ardente nos teus olhos
Alto! Grita ao leito!
Tirem as sandálias, respeito
Ao sagrado da morte

Debruçados sobre a tua cama
A noite feito um Evereste
O filho rasgando as vestes clama:
- Até ontem estivestes entre nós

Que mundo, que rumo, que tudo
Nos espera lá?
Deus ou Satã a nos abraçar

Entrego tua vida e tua sorte
O primeiro brilho ao norte
Teu consorte veio te buscar

Que mundo, que rumo, que tudo
Nos espera lá?

Nenhum comentário:

Postar um comentário